POEMA DO DIA
03 de Setembro de 2014
[Ainda frescos sobre a húmida areia.]
Ainda frescos sobre a húmida areia.
A fugitiva hora, reevoquei-a,
— Tão rediviva! nos meus olhos baços…

Olhos turvos de lágrymas contidas.
— Mesquinhos passos, porque doidejastes
Assim transviados, e depois tornastes
Ao ponto das primeiras despedidas?

Onde fostes sem tino, ao vento vário,
Em redor, como as aves num aviário,
Até que a asita fofa lhes faleça…

Toda essa extensa pista — para quê?
Se há-de vir apagar-vos a maré,
Com as do novo rasto que começa…

Camilo Pessanha (1867-1926)
Clepsydra, Poêmas de Camilo Pessanha
(posfácio e fixação do texto de António Barahona)