2021-04-30

O que farei quando tudo desaparece?

O Livro da Piedade e da Morte, de Pierre Loti

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É possível que a sua vida ausente, passada nos lugares mais exóticos do globo, tenha afastado Pierre Loti da discussão literária. Mas diríamos ser precisamente essa experiência de mundo, essa universalidade que se espraia pela sua obra, que nos lembra o quanto devemos ao autor de O Livro da Piedade e da Morte.

São onze quadros de uma vida que nos toca, enreda e nos devolve a questão primordial: o que farei quando tudo desaparece? Uma influência-chave na obra de Proust, aprendamos com Loti e digamos, como o seu discípulo: resgatarei o tempo, farei recordar.

 

O livro estará disponível nas livrarias a 6 de maio.

 

Exemplo de uma honestidade crua, O Livro da Piedade e da Morte é possivelmente a obra mais comovente de Pierre Loti. Em onze pequenos textos, cruzam-se os relatos daqueles — humanos e animais — cujas vidas o escritor quis imortalizar face ao efeito irreparável da morte: as memórias da tia Claire, as brincadeiras de duas gatas, ou o luto das viúvas de marinheiros islandeses, fragmentos de uma vida cristalizados nestas breves páginas.

 

«Esta necessidade de lutar contra a morte é, aliás — depois do desejo de fazer algo, se nos sentirmos capazes —, a única razão imaterial que se tem para escrever.»

 

O autor

Pseudónimo do escritor e oficial da marinha Louis-Marie-Julien Viaud, Pierre Loti nasceu em Rochefort, em França, a 14 de janeiro de 1850. A sua carreira naval permitiu que viajasse pelo mundo, experiência que irá marcar fortemente os seus romances autobiográficos e impregnados de um exotismo nostálgico. Embora dispensado das reuniões presenciais devido aos seus deveres militares, o autor foi eleito membro da Academia Francesa a 21 de maio de 1891, facto que explicará o respeito que os seus pares escritores lhe deverão ou ainda a decisiva influência que desempenhou, a título exemplar, na obra de Marcel Proust. Escrevendo a um ritmo incessante, entre um a dois livros por ano, Loti fala-nos de lugares tão diversos como a China, o Japão, o Senegal, Marrocos ou a Ilha de Páscoa. Destacam-se as suas obras O Pescador de Islândia (1886), O Livro da Piedade e da Morte (1891) e As Desencantadas (1906). Morre a 10 de junho de 1923, em Hendaye.

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