2022-05-05

Poemas de receita para várias crises

O Olhar Diagonal das Coisas, de Ana Luísa Amaral, é a primeira reunião de toda a poesia da autora em mais de uma década

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O Olhar Diagonal das Coisas reúne toda a obra poética de Ana Luísa Amaral, iniciando com o livro inaugural da autora, Minha Senhora de Quê, publicado em 1990, e terminando com o muito recente Mundo, publicado em 2021 e que em junho será lançado no Brasil, pela Assírio & Alvim Brasil. São mais de trinta anos de um fulgurante trabalho poético que, como poucos em Portugal, tem vindo a ser reconhecido além-fronteiras, como o demonstra a recente atribuição do Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana. O volume, que congrega os 17 livros de poesia da autora, conta com posfácio de Maria Irene Ramalho. Estes são poemas de questionamento e de receita para várias crises.

 

O livro já se encontra em pré-venda e estará disponível nas livrarias a 19 de maio.

 

RETORNOS

 

E a gelosia fecho: o sol não há

que o apaguei em asas de água a arder

nem ícaro nem tu

fui eu que o apaguei

 

os versos podem agora romper os diques,

podem agora repetir-se em sons,

podem agora lúcido batuque dentro da

noite são dentro da noite

e nem tu nem

 

Ícaro nem nada:

sou eu que fecho a gelosia

o sol não há

e permito-me o texto como rio, as palavras

fluidas como rio

 

Mas a chave perdi-

-a

 

SOBRE A AUTORA

Ana Luísa Amaral nasceu em Lisboa, em 1956, e é autora de mais de três dezenas de livros, entre poesia, teatro, ficção, infantis e ensaio. A sua obra está traduzida e publicada em diversos países. Obteve várias distinções e prémios em Portugal e no estrangeiro, como a Medalha da Cidade de Paris, a Medalha de Ouro da Câmara Municipal do Porto, por serviços à Literatura, o Prémio Literário Correntes d’Escritas, o Premio de Poesía Fondazione Roma, o Grande Prémio de Poesia da APE, o Prémio PEN de Ficção, o Prémio Vergílio Ferreira, ou, mais recentemente, o Prémio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana. Traduziu diferentes poetas, como Emily Dickinson, William Shakespeare ou Louise Gluck. É professora jubilada da Faculdade de Letras do Porto e membro sénior do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, onde trabalha nas áreas de poéticas comparadas e estudos feministas.

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