2022-03-08

Uma busca incessante em verso

Nova edição de Poesia, de António Maria Lisboa, «o mais importante poeta surrealista português», nas palavras de Mário Cesariny, organizador deste volume

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Livro icónico, Poesia fica agora de novo disponível no mercado numa edição revista e com uma nova capa, naquela que constitui uma oportunidade única de nos (re)encontrarmos com a singularidade poética de António Maria Lisboa.

 

O livro já se encontra em pré-venda e estará disponível nas livrarias a 10 de março.

 

«Desaparecido em plena juventude, António Maria Lisboa deixou uma obra escassa mas nem por isso menos fulgurante. Preocupado com uma verdadeira aproximação às culturas exteriores, à tão celebrada civilização ocidental, há na sua poesia uma busca incessante de um futuro tão antigo como o passado. Pode, e decerto deve, ser considerado o mais importante poeta surrealista português, pela densidade da sua afirmação e na "direcção desconhecida" para que aponta.» Assim nos é apresentado o jovem poeta pelo amigo e companheiro surrealista Mário Cesariny, organizador deste volume de toda a produção de António Maria Lisboa, editado originalmente em 1978.

 

SOBRE O LIVRO

 

POEMA DO COMEÇO

 

Eu num camelo a atravessar o deserto

com um ombro franjado de túmulos numa mão muito aberta

 

Eu num barco a remos a atravessar a janela

da pirâmide com um copo esguio e azul coberto de escamas

 

Eu na praia e um vento de agulhas

com um Cavalo-Triângulo enterrado na areia

 

Eu na noite com um objecto estranho na algibeira

— trago-te Brilhante-Estrela-Sem-Destino coberta de musgo

 

SOBRE O AUTOR

António Maria Lisboa nasceu em Lisboa no dia 1 de agosto de 1928 e frequentou o Ensino Técnico. Amigo de Mário Cesariny, com ele escreveu "Afixação Proibida", um importante manifesto do Surrealismo português que inicia este movimento em Portugal. Apesar de inserida no Surrealismo, a obra de António Maria Lisboa caracteriza-se por uma faceta ocultista e esotérica que a torna muito particular. Morreu de tuberculose com apenas 25 anos, mas a sua obra não deixa de ser um marco na literatura portuguesa. Durante a sua curta vida, António Maria Lisboa acreditou sempre no Surrealismo como liberdade e poesia totais, como se pode depreender da sua escrita.

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