Vigílias

Vigílias

ISBN: 978-972-37-0909-4
Edição/reimpressão: 04-2004
Editor: Assírio & Alvim
Código: 78066
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SINOPSE

A colecção grãos de pólen é composta por antologias de poemas escolhidos por poetas.
«Vigílias» reúne poemas de Al Berto escolhidos por José Agostinho Baptista, que nos revela como sentiu esse encontro:

Nada, quase nada, há que dizer sobre os poetas. Eles que digam tudo, quase tudo, eles que nos cerquem, que nos toquem.
Al Berto era desses, era assim: cercava, tocava, era profundamente tocado pela vida, pelos rostos da vida. Ardiam nele as chamas da alta combustão do poema, a inquietude dos lugares e dos dias, uma continuada vigília.
Pertencemos, etariamente, à mesma geração. Andámos pelos mesmos caminhos e por outros bem diferentes. E agora, que se fala tanto e tão absurdamente de gerações poéticas, apetece-me dizer que, para mim, simples partícula mortal, tudo isso representa uma falsa questão, um passatempo académico ou promocional que! pretende, quase sempre, subterraneamente, ocultar maquinações pouco inocentes. Interessa-me, isso sim, nesta selecção fatalmente subjectiva, o fio que conduz uma poética, o ouvido que escuta uma voz e a aproxima de cada um, de cada eleito, de cada leitor. O Al Berto que passa por mim é o que passou poeticamente pelo mundo, pela nossa condição de corpo errante, ávido, consumido pelos sentidos da existência, pelo sentir das existências.
A moda, o furor mediático, a glória vã, não me inquietam nem comovem; são meros sinais dos tempos. Os poemas, esses permanecem, atravessam os anos, procuram-nos, batem-nos à porta, e deles fazemos o que quisermos quando a voz do anjo mudo desperta e começa a falar-nos mais perto do ouvido, mais para dentro. Eu faço isto — coloco-os aqui, como grãos de pólen, no jardim daqueles que os deuses, cruéis ou dóceis nos seus d! esígnios, amaram.
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DETALHES DO PRODUTO

Vigílias
ISBN: 978-972-37-0909-4
Edição/reimpressão: 04-2004
Editor: Assírio & Alvim
Código: 78066
Idioma: Português
Dimensões: 150 x 212 x 20 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 208
Tipo de Produto: Livro

sobre Al Berto

Poeta e editor português, de nome completo Alberto Raposo Pidwell Tavares, nasceu a 11 de Janeiro de 1948, em Coimbra, e faleceu a 13 de Junho de 1997, em Lisboa. Tendo vivido até à adolescência em Sines, exilou-se, entre 1967 e 1975, em Bruxelas, dedicando-se, entre outras actividades, ao estudo de Belas-Artes. Publicou o primeiro livro dois anos depois de regressar a Portugal.
Em mais de vinte anos de actividade literária, a expressão poética assumida por Al Berto, o pseudónimo do autor, distingue-se de qualquer outra experiência contemporânea pela agressividade (lexical, metafórica, da construção do discurso) com que responde à disforia que cerca todos os passos do homem num universo que lhe é hostil. Trazendo à memória as experiências poéticas de Michaux ou de Rimbaud, é no próprio sofrimento, na sua violenta exaltação, na capacidade de o tornar insuportavelmente presente (nas imagens de uma cidade putrefacta, na obsidiante recorrência da morte e do mal, sob todas as suas formas) que a palavra encontra o seu poder exorcizante, combatendo o mal com o mal. É neste sentido que Ramos Rosa fala de uma "poesia da violência do mundo e da realidade insuportável": "a opacidade do mal ou a agressividade do mundo é tão intensa que provoca um choque e um desmoronamento geral", mas "à violência desta destruição responde o poeta com uma violenta negatividade que é uma pulsão de liberdade absoluta, que procura por todos os meios o seu espaço vital.", sublinhando ainda a forma como esta espécie de "grito de fragilidade extrema e irredutível do ser humano, do seu desamparado infinito, da sua revolta absoluta e sem esperança", se consubstancia, ao nível do estilo, num ritmo "ofegante, precipitado, como um assalto contínuo feito de palavras tão violentas como instrumentos de guerra" (cf. ROSA, António Ramos - A Parede Azul. Estudos Sobre Poesia e Artes Plásticas, Lisboa, Caminho, 1991, pp. 120-121). No domínio editorial, a sua actividade pautou-se pela isenção e certa ousadia relativamente às políticas comerciais livreiras dominantes.
Inicialmente seguindo uma estética surrealizante de temática erótica, em O Anjo Mudo (1993) funde prosa e poesia, exprime intertextualidades, numa viagem marginal e purificadora. A quase totalidade da sua obra poética encontra-se coligida em O Medo.
Foi galardoado com o Prémio Pen Club de Poesia em 1987.
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