É cedo para se dizer o que é ou que será a poesia de Ana Isabel Mouta, autora que publica agora o seu segundo livro de poemas, Alçapão, o primeiro pela Assírio & Alvim, chancela do Grupo Porto Editora.
O que podemos fazer é marcar certa posição e afirmar que a sua poesia merece toda a atenção voltada para si, descobrindo que caminhos ocultos ligam cada um destes poemas. Narrativa fragmentária em que podemos reconhecer referências a Paiol (2024), a sua estreia em poesia, certos elementos ligados à terra, à materialidade da palavra escrita em poemas concisos, em tensão de tão tersos na página.
Mas se um alçapão é uma via escondida, também aí encontramos o seu lado de logro, armadilha. E nisso Ana Isabel Mouta soube muito bem fazer sua a lição de Marina Tsvetáeva, apagando as pistas do poema. E tudo começa assim, tão belo, um quase canto de sereia:
Quero chegar
com a clepsidra regressada
e ajoelhar
como a terra tomando água
Saber que enfim regressas
e submersa
abrir-te os dedos
ou lançar-te de longe um feixe
ferindo a vinda
Esta obra já se encontra em pré-venda e chega às livrarias a 2 de abril.
SOBRE A AUTORA
Ana Isabel Mouta nasceu no Porto, em maio de 1981. Psicóloga, fez também estudos em filosofia. Desde 2018, dedica-se à investigação na área dos Estudos Críticos de Inteligência Artificial, com foco em agência humana e educação. Publicou o surpreendente Paiol (2024), a sua estreia em poesia.