Cartoons do ano 1999

Cartoons do ano 1999

ISBN: 978-972-37-0564-5
Edição/reimpressão: 04-1999
Editor: Assírio & Alvim
Código: 78381
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SINOPSE

Este volume, editado ao mesmo tempo que "25 dos 4" ( que reúne 25 dos melhores cartoons dos desenhadores António, Cid, Maia e Vasco, publicados na imprensa portuguesa desde o 25 de Abril, e tem introdução de António Valdemar), junta os melhores cartoons de 99 destes autores e constitui uma "revisita" ao último ano do século, desde os actos do governo  e da oposição, ao Nobel da Literatura, as viagens-fantasma dos deputados, os touros de morte em Barrancos, o caso de Clinton, os dramas de Timor e Angola, etc.. A introdução é de António Barreto.

« Estes quatro senhores, cujo trabalho me deram a honra de apresentar, são artistas pelo talento, jornalistas de vocação, cartoonistas pelo género e rebeldes por inspiração. No seu ofício, são do melhor que há em Portugal. Não só hoje, mas desde que essa arte existe no nosso país. Deles poderia dizer que foram buscar inspiração e energia às melhores tradições do cartoon português, sobretudo do cartoon político e social, as que nos deram Raphael Bordallo Pinheiro, Leal da Câmara, Valença, Stuart Carvalhais, Silva Nogueira ou Abel Manta. Mas isso seria pouco. Não ficaram prisioneiros das tradições, elevaram-se e elevaram a arte a patamares superiores.
Estamos perante aqueles que talvez mais tenham marcado o género nestes quase trinta anos de liberdades. Com esta especial característica que foi a de terem não só dado um jeito à sua arte, como a de terem influenciado todo o jornalismo que se fez nesse período. Com efeito, a sua rebeldia, a sua mordacidade e a sua imparcialidade foram exemplo para os outros profissionais, os das letras e das palavras. Os quatro prosseguiram as suas carreiras e a sua expressão artística e jornalística sem se deixarem vergar a poderes, nem influenciar por recados. Com o que. Aliás, tiveram maçadas com as autoridades, os poderosos e os tribunais. Devemos-lhes uma pequena parte da nossa liberdade de expressão.»
António Barreto, na Introdução

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DETALHES DO PRODUTO

Cartoons do ano 1999
ISBN: 978-972-37-0564-5
Edição/reimpressão: 04-1999
Editor: Assírio & Alvim
Código: 78381
Idioma: Português
Dimensões: 247 x 290 x 16 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 112
Tipo de Produto: Livro

sobre Cid

Caricaturista, escultor, pintor e publicitário português, Augusto José Sobral Cid nasceu em 1941 no Faial (Horta), e morreu a 14 de março de 2019, em Lisboa.

No seu percurso escolar passou pelos colégios Infante Sagres e Moderno, em Lisboa, para além dos Estados Unidos da América, onde esteve em 1959 com uma bolsa de estudos, tendo frequentado o curso de Escultura da ESBAL (Escola Superior de Belas Artes de Lisboa).

As suas primeiras caricaturas (ou cartoons) conhecidas foram realizadas no final dos anos 50 do século XX, tendo participado no semanário humorístico A Parada da Paródia.

Durante a comissão militar prestada no leste de Angola entre 1966 e 1967 produziu uma série de caricaturas publicadas na Revista Militar de Luanda que, mais tarde, foram compiladas no livro Que se Passa na Frente?!! (editado pelo autor em fevereiro de 1974), onde Cid denuncia o nonsense que é a guerra.

No final dos anos 60 começou a ser notada a sua colaboração com "A Mosca", célebre suplemento do Diário de Lisboa, tanto ao nível da BD como da Caricatura, em paralelo com o seu trabalho de publicitário, área onde trabalhou durante dezoito anos na sua própria agência.

Depois do 25 de abril de 1974 colaborou em diferentes periódicos, como o República, o Novo Observador, O Século, a revista Vida Mundial, O Jornal Novo, A Tarde, O Dia, O Diabo, o Semanário, O Independente e as revistas Mundial e Focus. Durante 17 anos as suas caricaturas publicadas na capa do semanário O Diabo, dirigido por Vera Lagoa, fizeram as delícias dos seus leitores, sobretudo no período em que o general Ramalho Eanes foi Presidente da República (1976-1986).

No semanário O Independente apresentou uma personagem permanente, o CãoTraste, desde 1990, que o autor definiu como "o verdadeiro animal político" e que passava em revista os principais factos (sobretudo políticos) da semana.

Colaborou ainda com a revista desportiva Mundial, com a TVI (Televisão Independente) fazendo caricaturas diárias para os serviços noticiosos (1991-1993), sem esquecer o jornal Povo Livre e as campanhas do PSD (Partido Social Democrata), partido com o qual se identifica sem contudo deixar de criticar com apreciável independência.

Foi considerado o mais incómodo dos caricaturistas portugueses, tendo tido diversos livros apreendidos, nomeadamente os relacionados com o período após o 25 de novembro de 1975 (O Superman, Eanito el Estático e O Último Tarzan, editados pela Intervenção entre 1979 e 1980) e o caso Camarate (Camarate e Camarate: Como, Porquê e Quem), sem esquecer os processos judiciais que lhe moveram. O autor teve, sem complexos, "alvos de estimação", como sejam o general Ramalho Eanes e Francisco Pinto Balsemão, não se coibindo de fazer um humor com opinião própria, daí a irritação de muitos dos seus visados.

Foi uma das pessoas que mais energicamente quis saber toda a verdade acerca da morte dos ocupantes do avião que, a 4 de dezembro de 1980, se despenhou nos arredores de Lisboa, em Camarate, e que vitimou Francisco Sá Carneiro (primeiro-ministro), Adelino Amaro da Costa (ministro da Defesa) e comitiva.

O seu inconfundível traço fino e nervoso, com coloração a aguarela (influenciado pelo Cartoon inglês) está presente em dezenas de livros, merecendo referência a compilação dos melhores trabalhos que anualmente produziu, juntamente com António, Maia e Vasco, que com ele formaram os quatro magníficos da Caricatura nacional, sob o título de Cartoons do Ano (desde 1999).

Para além dos muitos livros de caricatura política, tem também trabalhos de caricatura publicitária, como os que fez para a Telecel e as seguradoras Lusitânia e Império.

Como escultor tem peças urbanas na avenida Gonçalves Zarco, em Lisboa (1995), no Aeroporto de Macau, na China (1997), na avenida dos EUA, em Lisboa (2001), em Oeiras e na Madeira (2003), para além de diversos troféus que realizou para a Associação do Cavalo Lusitano. Dedicou-se também à Pintura, tendo realizado algumas exposições.

Como caricaturista recebeu, entre outras distinções, o 1.º Prémio de Desenho Humorístico do Salão Nacional de Caricatura (1987), o Grande Prémio do I Salão Livre (1988), o Prémio CPPM - Humor e Património (1989), o Grande Prémio do Salão Nacional de Caricatura (1990), Grande Prémio do Salão Nacional de Caricatura (1994), o Prémio Nacional de Humor de Imprensa (1996) e o Prémio Stuart de Tira Cómica (2005).

Das muitas exposições em que participou, merecem destaque a retrospetiva de todo o seu trabalho (caricatura, escultura e publicidade), no Museu Rafael Bordalo Pinheiro, em Lisboa (1990) e "Augusto Cid - O Cavaleiro do Cartoon", no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, de que se editou um importante catálogo (2004).
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