Da Sebe ao Ser

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SINOPSE

Esta nova edição de Da Sebe ao Ser, com organização de João Barrento e Maria Etelvina Santos, acrescenta à primeira edição um núcleo significativo de textos inéditos, provenientes da alargada fase de escrita do livro, que ocupa os anos de 1980 a 1984.


Visto pela vigia, o mar, em plena ondulação, transformou-se em nosso guarda e,
além dele,
não havia horizonte. Foi o bastante para que Juan confessasse que sempre o intrigara a nossa herança errante e marítima e que, de um momento para o outro, pressentia que o próprio ermo marítimo nos ia reter para sempre. […] Não encontrei palavras minhas para o dissuadir, e um pensamento arcaico respondeu por mim:
O mar e a terra não são humanos,
tratam todos os seres como se fossem funâmbulos.
O espaço entre a terra e o mar
não se assemelha ao fole da forja?
Por dentro, está vazio,
mas nunca se esvazia.
Quanto mais o accionam, mais ele sopra.
Quanto mais se fala,
mais cerrado é o nosso labirinto.
Mais vale que o homem
repouse no interior do fole.


E concluí, para que bem me compreendesse:
– Não foi o mar Juan,
mas o seu movimento,
que nos foi dado em herança.
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DETALHES DO PRODUTO

Da Sebe ao Ser
ISBN:978-972-37-2099-0
Edição/reimpressão:08-2019
Editor:Assírio & Alvim
Código:79186
Idioma:Português
Dimensões:147 x 205 x 20 mm
Encadernação:Capa mole
Páginas:288
Tipo de Produto:Livro
Escritora portuguesa de ascendência espanhola, nascida no ano de 1931 em Lisboa. Licenciou-se em Direito e em Ciências Pedagógicas, tendo trabalhado em áreas relacionadas com problemas educacionais. Em 1965, abandonou Portugal para se fixar na Bélgica. Regressou a Portugal nos anos 80. Considerada uma autora cuja escrita é hermética e de difícil inteligibilidade para o leitor comum, é, no entanto, apontada por muitos como um dos nomes mais inovadores e importantes da ficção portuguesa contemporânea. A sua carreira literária iniciou-se com Os Pregos na Erva (1962), obra que inaugurou uma nova forma de escrever, embora estruturalmente se assemelhe a um livro de contos. Publicou de seguida Depois de os Pregos na Erva (1972), O Livro das Comunidades (1977), A Restante Vida (1983), Na Casa de Julho e Agosto (1984), Causa Amante (1984), Contos do Mal Errante (1986), Da Sebe ao Ser (1988), Um Beijo Dado Mais Tarde (1990), com evidentes ressonâncias autobiográficas, Lisboaleipzig 1: O Encontro Inesperado do Diverso (1994), Lisboaleipzig 2: O Ensaio de Música (1995), Ardente Texto Joshua (1998) e Onde Vais Drama Poesia? (2000).
No caso de Maria Gabriela Llansol dificilmente se podem aplicar designações tradicionais como conto, romance ou mesmo diário. Apesar de se detetarem elementos tradicionais da narrativa, as suas obras, mais do que narrativas, são conjuntos de pequenos quadros e meditações. A ação localiza-se geralmente na Alemanha ou em regiões próximas, nos primórdios do Renascimento, num ambiente fantástico em que à volta de Copérnico, Isabol ou Hadewijch se movimentam personagens inspirados em pensadores místicos como San Juan de la Cruz e Eckhart e filósofos como Nietzsche e Espinosa.
Os diários Um Falcão em Punho (1985), considerado o ponto de viragem no que toca à cada vez maior inteligibilidade da sua escrita, e Finita (1987), distinguem-se das obras ficcionais pela sua aparente ordenação cronológica e pelas reflexões sobre a conceção materialista em que se baseia a mística e a poética da autora.
Um dos traços mais marcantes de toda a sua produção consiste na constante negação da escrita representativa, com inserção no texto de diferentes caracteres tipográficos, espaços em branco, traços que dividem o texto, perguntas de retórica, aspetos que contribuem para a sensação de estranheza que os seus textos provocam.
Levando às últimas consequências a criação de um universo pessoal que desde os anos 60 não tem paralelo na literatura portuguesa, a obra de Maria Gabriela Llansol faz estilhaçar as fronteiras entre o que designamos por ficção, diário, poesia, ensaio, memórias, etc.
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