Lisboaleipzig

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ISBN:978-972-37-1772-3
Edição/reimpressão:05-2014
Editor:Assírio & Alvim
Código:79390
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SINOPSE

E Aossê [Fernando Pessoa]. Sempre atravessando Lisboa, neste dia em que não nos é permitido encontrarmo-nos, pois eu permaneço aqui. Subo para ir buscar os seus passeios no Livro do Desassossego, e encontro-me subitamente a três no patamar. Bach toca órgão no exterior, no lugar em que a Praça de Herbais é mais monótona. Toca para mim, e para ele, com um relâmpago de amizade nas veias. Não sabe nada destes portugueses, que pedem deuses num país estrangeiro. Não sabe que somos portugueses, somos irmãos por quem teme. «Um dos meus passeios predilectos», diz Aossê, «nas manhãs em que temo a banalidade do dia que vai seguir como quem teme a cadeia…»
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COMENTÁRIOS DOS LEITORES

Deste lado e daquele
Maria Teresa Meireles |2014-12-05
A ponte entre margens que não o são. As cidades e os nomes como locais de ficção.. Maria Gabriela exercitando a sua escrita e o seu universo de estranheza e fulgor(es)

DETALHES DO PRODUTO

Lisboaleipzig
ISBN:978-972-37-1772-3
Edição/reimpressão:05-2014
Editor:Assírio & Alvim
Código:79390
Idioma:Português
Dimensões:147 x 205 x 26 mm
Encadernação:Capa mole
Páginas:376
Tipo de Produto:Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
Escritora portuguesa de ascendência espanhola, nascida no ano de 1931 em Lisboa. Licenciou-se em Direito e em Ciências Pedagógicas, tendo trabalhado em áreas relacionadas com problemas educacionais. Em 1965, abandonou Portugal para se fixar na Bélgica. Regressou há alguns anos a Portugal. Considerada uma autora cuja escrita é hermética e de difícil inteligibilidade para o leitor comum, é, no entanto, apontada por muitos como um dos nomes mais inovadores e importantes da ficção portuguesa contemporânea. A sua carreira literária iniciou-se com Os Pregos na Erva (1962), obra que inaugurou uma nova forma de escrever, embora estruturalmente se assemelhe a um livro de contos. Publicou de seguida Depois de os Pregos na Erva (1972), O Livro das Comunidades (1977), A Restante Vida (1983), Na Casa de Julho e Agosto (1984), Causa Amante (1984), Contos do Mal Errante (1986), Da Sebe ao Ser (1988), Um Beijo Dado Mais Tarde (1990), com evidentes ressonâncias autobiográficas, Lisboaleipzig 1: O Encontro Inesperado do Diverso (1994), Lisboaleipzig 2: O Ensaio de Música (1995), Ardente Texto Joshua (1998) e Onde Vais Drama Poesia? (2000).
No caso de Maria Gabriela Llansol dificilmente se podem aplicar designações tradicionais como conto, romance ou mesmo diário. Apesar de se detetarem elementos tradicionais da narrativa, as suas obras, mais do que narrativas, são conjuntos de pequenos quadros e meditações. A ação localiza-se geralmente na Alemanha ou em regiões próximas, nos primórdios do Renascimento, num ambiente fantástico em que à volta de Copérnico, Isabol ou Hadewijch se movimentam personagens inspirados em pensadores místicos como San Juan de la Cruz e Eckhart e filósofos como Nietzsche e Espinosa.
Os diários Um Falcão em Punho (1985), considerado o ponto de viragem no que toca à cada vez maior inteligibilidade da sua escrita, e Finita (1987), distinguem-se das obras ficcionais pela sua aparente ordenação cronológica e pelas reflexões sobre a conceção materialista em que se baseia a mística e a poética da autora.
Um dos traços mais marcantes de toda a sua produção consiste na constante negação da escrita representativa, com inserção no texto de diferentes caracteres tipográficos, espaços em branco, traços que dividem o texto, perguntas de retórica, aspetos que contribuem para a sensação de estranheza que os seus textos provocam.
Levando às últimas consequências a criação de um universo pessoal que desde os anos 60 não tem paralelo na literatura portuguesa, a obra de Maria Gabriela Llansol faz estilhaçar as fronteiras entre o que designamos por ficção, diário, poesia, ensaio, memórias, etc.
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