O Raio Sobre O Lápis

O Raio Sobre O Lápis

avaliação dos leitores (1 comentários)
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ISBN:978-972-37-0973-5
Edição/reimpressão:04-2004
Editor:Assírio & Alvim
Código:78117
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SINOPSE

Convivemos fraternalmente nesses dias, com serenidade e com paixão; o que nos confrangia foi levado pelo rafeiro brilhante e negro; nem sempre dar à luz é confortar os mortais, mas estas estrelas não têm ocupações semelhantes à nossas; por isso, lá voltámos em pensamento. E tu pensas: eu só posso suspeitar que as suas relações amistosas brilham; a veemência de um sentimento com nome verdadeiramente carnal, nasce no horizonte.
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COMENTÁRIOS DOS LEITORES

Uma viagem inquietante
Maria Lúcia Lemos |2016-06-27
O pequeno livro «O Raio Sobre o Lápis», escrito por Maria Gabriela Llansol, em 1990 em Colares, e editado pela primeira vez em 1991 pelo Comissariado para a Europália, reúne 18 enigmáticos capítulos, acompanhados de um prólogo, de um epílogo e de um post-scriptum. O livro abre com oito desenhos de Julião Sarmento, ilustrando, talvez, «cena[s] fulgor» do texto: « só se pode abrir mão, quando os olhos já guardaram a imagem, e o seu poder de suavidade cintilante». Um copo, um falcão pousado num braço, a Ursa Maior, uma caveira num pinhal, um vestido entreaberto, uma mesa com duas cadeiras, a sombra de uma figura feminina sentada e, por último, uma bilha, são universos que preparam o leitor para uma fascinante viagem. São nomeados ou percorridos os seguintes lugares geográficos: Alpedrinha (infância), Ur (a leitura de Hölderlin), a serra de Ossa (o amante), Colares (as árvores abatidas) e a Praia das Maçãs (o mar, a areia, as gaivotas). São descritos e convocados espaços interiores (o escritório) e exteriores (o terraço, o pinhal) habitados por figuras predominantemente femininas (Christine, Myriam, a velha costureira, Bela, mas também o pai e o amigo-amante) e animais maioritariamente masculinos (o falcão Aramis, o sapo, os cães vento negro e aragem firme, mas também a cadela Isolda). A narradora, Ana, cita «Le Livre des Rêves», de Swedenborg, refere Hölderlin e fecha o «passeio» com um verso de Rilke. Um pequeno livro que provoca uma grande perturbação no leitor.

DETALHES DO PRODUTO

O Raio Sobre O Lápis
ISBN:978-972-37-0973-5
Edição/reimpressão:04-2004
Editor:Assírio & Alvim
Código:78117
Idioma:Português
Dimensões:120 x 170 x 6 mm
Encadernação:Capa mole
Páginas:80
Tipo de Produto:Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
Escritora portuguesa de ascendência espanhola, nascida no ano de 1931 em Lisboa. Licenciou-se em Direito e em Ciências Pedagógicas, tendo trabalhado em áreas relacionadas com problemas educacionais. Em 1965, abandonou Portugal para se fixar na Bélgica. Regressou há alguns anos a Portugal. Considerada uma autora cuja escrita é hermética e de difícil inteligibilidade para o leitor comum, é, no entanto, apontada por muitos como um dos nomes mais inovadores e importantes da ficção portuguesa contemporânea. A sua carreira literária iniciou-se com Os Pregos na Erva (1962), obra que inaugurou uma nova forma de escrever, embora estruturalmente se assemelhe a um livro de contos. Publicou de seguida Depois de os Pregos na Erva (1972), O Livro das Comunidades (1977), A Restante Vida (1983), Na Casa de Julho e Agosto (1984), Causa Amante (1984), Contos do Mal Errante (1986), Da Sebe ao Ser (1988), Um Beijo Dado Mais Tarde (1990), com evidentes ressonâncias autobiográficas, Lisboaleipzig 1: O Encontro Inesperado do Diverso (1994), Lisboaleipzig 2: O Ensaio de Música (1995), Ardente Texto Joshua (1998) e Onde Vais Drama Poesia? (2000).
No caso de Maria Gabriela Llansol dificilmente se podem aplicar designações tradicionais como conto, romance ou mesmo diário. Apesar de se detetarem elementos tradicionais da narrativa, as suas obras, mais do que narrativas, são conjuntos de pequenos quadros e meditações. A ação localiza-se geralmente na Alemanha ou em regiões próximas, nos primórdios do Renascimento, num ambiente fantástico em que à volta de Copérnico, Isabol ou Hadewijch se movimentam personagens inspirados em pensadores místicos como San Juan de la Cruz e Eckhart e filósofos como Nietzsche e Espinosa.
Os diários Um Falcão em Punho (1985), considerado o ponto de viragem no que toca à cada vez maior inteligibilidade da sua escrita, e Finita (1987), distinguem-se das obras ficcionais pela sua aparente ordenação cronológica e pelas reflexões sobre a conceção materialista em que se baseia a mística e a poética da autora.
Um dos traços mais marcantes de toda a sua produção consiste na constante negação da escrita representativa, com inserção no texto de diferentes caracteres tipográficos, espaços em branco, traços que dividem o texto, perguntas de retórica, aspetos que contribuem para a sensação de estranheza que os seus textos provocam.
Levando às últimas consequências a criação de um universo pessoal que desde os anos 60 não tem paralelo na literatura portuguesa, a obra de Maria Gabriela Llansol faz estilhaçar as fronteiras entre o que designamos por ficção, diário, poesia, ensaio, memórias, etc.
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