Quaresma, Decifrador

Quaresma, Decifrador

Fernando Pessoa, Ana Maria Freitas
ISBN:978-972-37-1317-6
Edição/reimpressão:05-2014
Editor:Assírio & Alvim
Código:78814
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SINOPSE

Fernando Pessoa tinha grande consideração pelo género policial, pois, segundo afirma, trata-se de um dos «poucos divertimentos intelectuais que ainda restam ao que resta de intelectual na humanidade». Para além de um leitor entusiasta de todas as novidades que as editoras inglesas publicavam nesta área, Pessoa foi também, ao longo da sua vida literária, escritor de histórias policiais, dedicando a esta vertente da sua obra muito tempo e atenção.

Quaresma, Decifrador é o título geral que atribuiu ao conjunto das novelas policiárias aqui editadas. O fio condutor de todas elas é a figura de Abílio Fernandes Quaresma, médico sem clínica e decifrador de charadas, das do Almanach de Lembranças, sua leitura preferida, e das da vida real, uma figura paradoxal pelo contraste criado entre a debilidade física e o fulgor do raciocínio dedutivo. Raciocinador minucioso e analítico, tal como o autor, Quaresma é apresentado no «Prefácio» das novelas como um amigo de longa data, recentemente falecido, alguém que realmente conduz os seus passos pelas Ruas de Lisboa, tal como outros alter-egos pessoanos.

Quaresma, Decifrador, o conjunto das treze novelas policiárias que Fernando Pessoa planeava publicar à data da sua morte, desenvolve um outro conceito de policial com a complexidade própria do universo pessoano.
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CRÍTICAS DE IMPRENSA

«O volume que a Assírio & Alvim agora lançou, Quaresma Decifrador: As Novelas Policiárias, vem, do alto das suas quase quinhentas páginas, mostrar como este género não foi, afinal, menosprezado por Pessoa. Na introdução, Ana Maria Freitas, responsável por esta cuidada edição, salienta o carácter inédito da maior parte dos textos agora apresentados, destacando o facto de a sua escrita se estender por décadas, até ao ano da morte do seu autor. [...] Talvez o fascínio de Pessoa por este género literário se deva ao facto de ele, na sua lógica mais ou menos repetitiva, apresentar a estrutura a que obedece qualquer tipo de inquietação humana, dividida na apresentação do problema, na sua análise e, por fim, na apresentação de uma solução. A vantagem dos romances policiais sobre a vida reside na eficácia das soluções que eles propõem.»
João Paulo Sousa, blog Da Literatura
«Quando às vezes pensava na ordem de uma futura publicação de obras minhas, nunca um livro do género da Mensagem figurava em número um. Hesitava entre se deveria começar por um livro de versos grandes - um livro de umas 350 páginas -, englobando as várias subpersonalidades de Fernando Pessoa ele-mesmo, ou se deveria abrir com uma novela policiária, que ainda não conseguira completar.»
Ana Maria Freitas, na introdução da obra

DETALHES DO PRODUTO

Quaresma, Decifrador
de Fernando Pessoa, Ana Maria Freitas
ISBN:978-972-37-1317-6
Edição/reimpressão:05-2014
Editor:Assírio & Alvim
Código:78814
Idioma:Português
Dimensões:166 x 240 x 30 mm
Encadernação:Capa mole
Páginas:448
Tipo de Produto:Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
Um dos maiores génios poéticos de toda a nossa Literatura e um dos poucos escritores portugueses mundialmente conhecidos. A sua poesia acabou por ser decisiva na evolução de toda a produção poética portuguesa do século XX. Se nele é ainda notória a herança simbolista, Pessoa foi mais longe, não só quanto à criação (e invenção) de novas tentativas artísticas e literárias, mas também no que respeita ao esforço de teorização e de crítica literária. É um poeta universal, na medida em que nos foi dando, mesmo com contradições, uma visão simultaneamente múltipla e unitária da Vida. É precisamente nesta tentativa de olhar o mundo duma forma múltipla (com um forte substrato de filosofia racionalista e mesmo de influência oriental) que reside uma explicação plausível para ter criado os célebres heterónimos - Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, sem contarmos ainda com o semi-heterónimo Bernardo Soares.
Fernando Pessoa nasceu em Lisboa em 1888 (onde virá a falecer) e aos 7 anos partiu para a África do Sul com a sua mãe e o padrasto, que foi cônsul em Durban. Aqui fez os estudos secundários, obtendo resultados brilhantes. Em fins de 1903 faz o exame de admissão à Universidade do Cabo. Com esta idade (15 anos) é já surpreendente a variedade das suas leituras literárias e filosóficas. Em 1905 regressa definitivamente a Portugal; no ano seguinte matricula-se, em Lisboa, no Curso Superior de Letras, mas abandona-o em 1907. Decide depois trabalhar como "correspondente estrangeiro". Em 1912 estreia-se na revista A Águia com artigos de natureza ensaística. 1914 é o ano da criação dos três conhecidos heterónimos e em 1915 lança, com Mário de Sá-Carneiro, José de Almada-Negreiros e outros, a revista "Orpheu", que dá origem ao Modernismo. Entre a fundação de algumas revistas, a colaboração poética noutras, a publicação de alguns opúsculos e o discreto convívio com amigos, divide-se a vida pública e literária deste poeta.
Pessoa marcou profundamente o movimento modernista português, quer pela produção teórica em torno do sensacionismo, quer pelo arrojo vanguardista de algumas das suas poesias, quer ainda pela animação que imprimiu à revista "Orpheu" (1915). No entanto, quase toda a sua vida decorreu no anonimato. Quando morreu, em 1935, publicara apenas um livro em português, "Mensagem" (no qual exprime poeticamente a sua visão mítica e nacionalista de Portugal), e deixou a sua famosa arca recheada de milhares de textos inéditos. A editora Ática começou a publicar a sua obra poética em 1942. No entanto, já o grupo da "Presença" tinha iniciado a sua reabilitação (poética e filosófica) face ao público e à crítica. © 2003 Porto Editora, Lda.
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