2022-02-15

Esse subtil contraste entre luz e sombra

Pirilampos, de Ricardo Gil Soeiro

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Prosseguindo o projeto de Ricardo Gil Soeiro de uma poética palimpséstica – onde confluem ecos de Rabindranath Tagore, Julio Cortázar, Rainer Maria Rilke, Kobayashi Issa ou Jorge Luis Borges –, em Pirilampos a poesia é vibração plural do sentido e exploração de múltiplas hipóteses de vida.

Palco onde se encenam diferentes gestos de linguagem, o poema (como o pirilampo) exibe a faculdade simultaneamente frágil e fulgurante de irradiar uma trémula luz, passível de iluminar a escuridão que se encontra em seu redor:

 

35

 

Ávido das chamas,

cedi à fome e engoli o fogo.

 

Fui delírio, fui delito.

 

Eis-me agora:

pequeno incêndio,

um perigo intacto.

 

O mais brilhante segredo desta esfera.

 

O livro já se encontra em pré-venda e estará disponível nas livrarias a 24 de fevereiro.

 

Nas palavras do próprio autor: «Pirilampos representa simultaneamente uma continuação e uma viragem na minha poesia. Uma continuação, na medida em que prossegue a minha proposta de uma poética palimpséstica, na senda de livros como Da vida das marionetas ou Bartlebys Reunidos, por exemplo. Por outro lado, como que institui uma rutura, já que, como o próprio título deixa adivinhar, trata-se de uma obra que se demarca claramente da tonalidade mais sombria de livros como Volúpia do Desastre ou Tratado da Mão que escrevi sob a sombra tutelar de Cioran. Isto não quer dizer que essa dimensão mais luminosa, mais solar, apague a preocupação com o lado trágico da vida. Diria que é um livro que procura encontrar esse chiaroscuro, esse subtil contraste entre luz e sombra. Os Pirilampos ajudaram-me nessa procura.»

 

SOBRE O LIVRO

Um pirilampo e uma mão humana: o gesto luminoso e o ato de criação. Será a carcaça do inseto que se metamorfoseia, ou o corpo do ser que se transhumaniza? Pirilampos é a estreia poética de Ricardo Gil Soeiro na Assírio & Alvim, um livro que tenta responder à questão fundamental:

 

Quem foi que deixou os pirilampos acesos?

 

SOBRE O AUTOR

Ricardo Gil Soeiro nasceu em 1981 e é poeta e ensaísta. Tem vários ensaios publicados, entre os quais Gramática da Esperança (2009), Poéticas da Incompletude (2017), Volúpia do Desastre (2019) e O Enigma Claro da Matéria (2019). Organizou o volume As Artes do Sentido (2017) e coeditou Paul Celan: Da Ética do Silêncio à Poética do Encontro (2014), Das Cinzas do Silêncio à Palavra do Fogo (2018) e O Nada virado do Avesso (2019). No domínio da poesia, publicou obras como Caligraphia do Espanto (2010), Labor Inquieto (2011) ou Da Vida das Marionetas (2012). Em 2012, veio a lume L’apprendista di enigmi, uma antologia poética traduzida para italiano. Com Iminência do Encontro foi galardoado com o Prémio PEN Clube Português – Primeira Obra 2010. Com o livro A Sabedoria da Incerteza foi finalista do Prémio PEN de Ensaio 2016. Com o livro Palimpsesto foi finalista do Prémio SPA 2017. Com A Rosa de Paracelso foi finalista do Grande Prémio de Literatura DST 2018. Em 2019, foi distinguido pelo Instituto Cultural Romeno com o título honorário Amicus Romaniae 2019. É professor de Estudos de Literatura, Arte e Cultura na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e investigador no Centro de Estudos Comparatistas, FLUL.

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