2021-08-29

Sobre a cegueira da linguagem

Ângulo Morto é o mais recente livro de poesia de Luís Quintais

Partilhar:

Ângulo Morto, décima quarta recolha de poemas de Luís Quintais, sublinha e amplia a diversidade de recursos a que nos habituou.

A poesia é aqui uma forma de meditação lírica que nos lança numa apreciação do tempo, da sua substância e transfiguração. A poesia é, nesse sentido, revisitação da experiência, mas também ponderação dos limites da linguagem e dos seus sortilégios.

 

O livro já se encontra em pré-venda e estará disponível nas livrarias a 2 de setembro.

 

Amamos uma mulher, depois um continente perdido.

Afinal, fomos nós que perdemos o norte.

Alguém abre a porta, o vento do deserto

sopra dentro da sala, somos levados para longe

do paraíso, improvável ficção consentida.

 

Marcamos o tempo, o compasso.

A música depois do silêncio soa a notação desabrida,

incontida fúria tomando de assalto as artérias

que insistem no seu ofício de coisas

vivas e frágeis.

 

SOBRE O AUTOR

Luís Quintais nasceu em 1968 em Angola. Antropólogo, poeta e ensaísta, leciona no Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra. Como antropólogo tem publicado ensaios em diversas revistas da especialidade sobre as implicações sociais e culturais do conhecimento biomédico, em particular sobre a psiquiatria e seus contextos. Desenvolve atualmente investigação sobre as interações entre biotecnologias, arte e cognição. A sua já extensa obra poética tem vindo a ser reconhecida pelos leitores e pela crítica, e tem sido distinguida com diversos prémios.

Este site utiliza cookies para lhe proporcionar uma melhor experiência de navegação. Ao navegar estará a consentir a sua utilização. Saiba mais sobre a nossa política de privacidade. Tomei conhecimento e não desejo visualizar esta informação novamente.

OK