Ângulo Morto, décima quarta recolha de poemas de Luís Quintais, sublinha e amplia a diversidade de recursos a que nos habituou.
A poesia é aqui uma forma de meditação lírica que nos lança numa apreciação do tempo, da sua substância e transfiguração. A poesia é, nesse sentido, revisitação da experiência, mas também ponderação dos limites da linguagem e dos seus sortilégios.
O livro já se encontra em pré-venda e estará disponível nas livrarias a 2 de setembro.
Amamos uma mulher, depois um continente perdido.
Afinal, fomos nós que perdemos o norte.
Alguém abre a porta, o vento do deserto
sopra dentro da sala, somos levados para longe
do paraíso, improvável ficção consentida.
Marcamos o tempo, o compasso.
A música depois do silêncio soa a notação desabrida,
incontida fúria tomando de assalto as artérias
que insistem no seu ofício de coisas
vivas e frágeis.
SOBRE O AUTOR
Luís Quintais nasceu em 1968 em Angola. Antropólogo, poeta e ensaísta, leciona no Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra. Como antropólogo tem publicado ensaios em diversas revistas da especialidade sobre as implicações sociais e culturais do conhecimento biomédico, em particular sobre a psiquiatria e seus contextos. Desenvolve atualmente investigação sobre as interações entre biotecnologias, arte e cognição. A sua já extensa obra poética tem vindo a ser reconhecida pelos leitores e pela crítica, e tem sido distinguida com diversos prémios.