Pena Capital

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avaliação dos leitores (3 comentários)
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ISBN:978-972-37-0512-6
Edição/reimpressão:04-2004
Editor:Assírio & Alvim
Código:78350
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SINOPSE


Prémio Vida Literária APE/CGD

Esta reedição de «Pena Capital» inclui diversos poemas e textos inéditos, como por exemplo «carta casi-poema para octavio paz» (p. 210), «mário sério» (p. 215), «sombra de almagre» (p. 217), entre outros.
«Os textos deste livro foram escritos de 1948, como no poema "Corpo Visível", a 1976, como em "Informação Cancional ao Poema, Nemésio", com excepção do poema "Este fresco Jardim", que é de 1942  e fecha o livro.» Como refere o poeta e crítico Gil de Carvalho ("Expresso-Cartaz") « Cesariny escreve neste livro alguns dos poemas máximos da língua no presente século E que são, entre outros, "a um rato morto encontrado num parque", "a antonin artaud", "alegoria do mundo na passagem de arnaldo villanova", "shaftesbury avenue"... Depois há belos poemas e muitas maquetes felizes, os vários jogos e presenças de quem pinta, faz a cidade e os versos, as tais coisas, da ordem do dia, às quais parece estar sempre atento.» Mário Cesariny (n. 1923), poeta, pintor, vindo do surrealismo, que a seu modo inventou, é, sem dúvida, um dos grandes poetas deste século, que agora finda. O tom da sua escrita, que vibra como uma cidade, como um corpo, é, ao mesmo tempo, coloquial e mágico, presente e oculto, poético e prosaico. O humor, a ironia, a surpresa brotam nestes poemas, fazendo deles actos de insurreição, manifestos, coisa viva. Como o poema "de profundis amamus", que a seguir poderá ler, por cortesia do editor.

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CRÍTICAS DE IMPRENSA

"Pena Capital vem já de 1957, mas a presente reedição ilustra esplendorosamente o «nonsense» da vida portuguesa. Indispensável."
Eduardo Pitta, In Mil Folhas (Público), 02 de Janeiro de 2005
"de profundis amamus"

Ontem
às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria

Andámos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros

Olha
como só tu sabes olhar
a rua     os costumes
O Público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso

Não faz mal    abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados      maravilhosos     únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso

"de profundis amamus"

Ontem
às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria

Andámos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros

Olha
como só tu sabes olhar
a rua     os costumes
O Público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso

Não faz mal    abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados      maravilhosos     únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso

COMENTÁRIOS DOS LEITORES

Pena Capital
Mary |2019-03-30
Recomendo para todos os amantes de literatura: é um livro que espelha bem o caráter do seu autor - bem-humorado, irreverente, surrealista e atípico. Qualquer pessoa que conheça a obra poética de Cesariny sabe que este é uma das suas obras mais importantes e possivelmente uma das mais paradigmáticas daquele que é o espírito criativo da segunda metade do século XX.
LIVROS & LIVROS
orlandofbarros@hotmail.com |2016-03-12
TENHO VINDO A LER O LIVRO, CALMAMENTE. POESIA NÃO É ROMANCE QUE SE PODE LER DE ENFIADA. DEVE SER TOMADA ÁS COLHERES COMO É O CASO DA POESIA DESCONCERANTE E SURREALISTA DESTE SURREALISTA POETA E ARTISTA - MÁRIO CESARINY.

DETALHES DO PRODUTO

Pena Capital
ISBN:978-972-37-0512-6
Edição/reimpressão:04-2004
Editor:Assírio & Alvim
Código:78350
Idioma:Português
Dimensões:144 x 205 x 30 mm
Encadernação:Capa mole
Páginas:240
Tipo de Produto:Livro
Poeta, autor dramático, ficcionista, crítico, ensaísta, tradutor e artista plástico português, nasceu a 9 de Agosto de 1923, em Lisboa, e morreu a 26 de Novembro de 2006, também naquela cidade.
Depois de ter estudado no Liceu Gil Vicente, entrou para Arquitectura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, onde frequentou o primeiro ano, e mudou depois para a Escola de Artes Decorativas António Arroio. Depois de ter frequentado esta escola, prosseguiu estudos de belas-artes em Paris, tendo, ainda, estudado música com o compositor Fernando Lopes Graça.
Figura maior do surrealismo português, a influência que viria a exercer sobre as gerações poéticas reveladas nas décadas posteriores aos anos 50, período durante o qual publicou alguns dos seus títulos mais significativos, ainda não foi suficientemente avaliada. Promoveu a técnica conhecida por "cadáver esquisito", que consistia na elaboração de uma obra por um grupo de pessoas, num processo em cadeia criativa, na qual cada uma dava seguimento à criatividade da anterior, resultando numa espécie de colagem de palavras, a partir apenas de um acordo inicial quanto à estrutura frásica.
Colaborou em várias publicações periódicas como Jornal de Letras e Artes e Cadernos do Meio-Dia, entre outras. Começou por se interessar pelo movimento neo-realista - ainda que essa breve incursão não tenha ultrapassado mais que uma postura irónica e paródica, firmada em Nicolau Cansado Escritor - para, em 1947, regressado de Paris, onde frequentou a Academia de La Grande Chaumière e onde conheceu André Breton, fundar o movimento surrealista português.
A sua postura polémica na defesa de um surrealismo autêntico levou-o, porém, a deixar o grupo no ano seguinte, para criar, com Pedro Oom e António Maria Lisboa, o grupo surrealista dissidente.
Como um dos principais críticos e teóricos do movimento surrealista, manteve ao longo da sua carreira inúmeras polémicas literárias, quer contra os detractores do surrealismo quer contra os que, na prática literária, o desvirtuavam.
A sua obra poética começou por reflectir, em Corpo Visível ou Discurso Sobre a Reabilitação do Real Quotidiano, o gosto pela observação irónica da realidade urbana que, fazendo-se eco de Cesário Verde, constitui ainda uma fase pouco significativa relativamente a volumes próximos da prática surrealista como Manual de Prestidigitação. Aí, a mordacidade e o absurdo, o recurso ao insólito, aliados a uma discursividade que raramente envereda por um nonsense radical, como ocorre na obra de António Maria Lisboa, permitem estabelecer, como nenhum outro autor da década de 50, um ponto de equilíbrio entre o primeiro modernismo e a revolução surrealista.
No domínio do teatro, em Um Auto Para Jerusalém, pastiche de um conto de Luís Pacheco, revela a influência de Pirandello ou da prática teatral de Alfred Jarry. No fim da década de 60 e início de 70, Mário de Cesariny encetou um trabalho de reposição da verdade histórica do movimento surrealista, coligindo os seus manifestos, editando a obra poética inédita de alguns dos seus representantes, e dando ao prelo textos seus datados do período de maior envolvimento com a teoria e prática do surrealismo, como 19 Projectos de Prémio Aldonso Ortigão seguidos de Poemas de Londres (1971), ou Primavera Autónoma das Estradas (1980) ou o romance Titânia (1977).
Em 2005, recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, entregue pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio, e, em Novembro desse mesmo ano, foi galardoado com o Grande Prémio Vida Literária, uma homenagem à sua notável contribuição para a literatura portuguesa.
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