2021-04-13

O porta-voz da modernidade renascentista em Portugal

A Obra Completa de Francisco de Sá de Miranda

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A importância de Francisco de Sá de Miranda, um dos maiores dinamizadores da língua portuguesa, é inegável no panorama literário português. Preparado com o rigor que uma edição desta natureza exige, mas tendo em vista a difusão do trabalho de Sá de Miranda, assim se publica Obra Completa, fixada e anotada por Sérgio Guimarães de Sousa, João Paulo Braga e Luciana Braga, que mantiveram a pontuação original do humanista:

 

Mal de que me eu contentei,

Contas rematadas já,

Agora desancarei.

Esta dor me matará

Se não, eu me matarei.

 

Nas cousas que não há meo

É escusado cansar mais,

Ir de receo em receo

E de sinais em sinais.

Em vão cá, e lá cansei,

Tudo me é tomado já,

Agora descansarei,

Ou me este mal matará,

Se não, eu me matarei.

 

O livro estará disponível nas livrarias a 15 de abril.

 

O esforço hercúleo em coligir num único volume toda a obra de Sá de Miranda resulta de uma parceria com o Centro de Estudos Mirandinos e contou com o apoio da Câmara Municipal de Amares. Um tesouro cultural e literário sem fronteiras, uma voz poética «admirada pelos principais vultos do seu tempo, que de Sá de Miranda tanto apreciavam a superior qualidade dos versos como o pragmatismo racional ao serviço da intransigente defesa de valores morais».

 

O autor

Francisco de Sá de Miranda nasceu a 28 de agosto de 1481, na cidade de Coimbra. Formado em Direito na Universidade de Lisboa, foi a sua índole humanista e o seu amor pelas Letras que o fizeram viajar até Itália, em 1521, para conhecer de perto as raízes renascentistas. Cultivando «a medida velha», o poeta irá escrever algumas das composições recolhidas no Cancioneiro Geral (1516), de Garcia de Resende. Mas a sua adesão entusiástica ao pensamento e novas formas literárias da época, fá-lo trazer dessa sua longa viagem o dulce stil nuovo para Portugal. Assim se torna exímio na composição tanto do vilancete e cantiga, como do soneto e sextina. Morre em 1558, após uma vida cheia e pautada pelos valores morais que sempre defendeu.

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