Esta Voz é Quase o Vento

Esta Voz é Quase o Vento

ISBN: 978-972-37-0928-5
Edição/reimpressão: 04-2004
Editor: Assírio & Alvim
Código: 78085
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SINOPSE

Em 2000, com a publicação de «Biografia», José Agostinho Baptista encerrava um longo ciclo de escrita, reunida nesse volume. Agora, «Esta Voz é Quase o Vento» vem dar continuidade à nova fase de produção poética iniciada com «Anjos Caídos» (2003).
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CRÍTICAS DE IMPRENSA

"Não sabemos o estado de espírito com que José Agostinho Baptista abandonou ou terminou a escrita deste seu novo livro de poemas. Acreditamos, contudo, que depois de "atravessar" um corpo poético tão fulminante e dilacerante com este, o autor sinta necessidade de respirar fundo e de, por momentos, por horas, por dias ou meses, descansar a mão, que é como quem diz a memória, que é como quem diz necessidade de apaziguar a alma sustendo a sangria de sentimentos. Tudo porque Esta Voz é Quase o Vento chega-nos com a força de uma tempestade, como se de uma voz detentora da força do vento se tratasse, uma "voz-de-vento" feita lamento, feita também viagem pelas memórias ou rumo a um futuro de negro adivinhado."
in Magazine Artes, Novembro de 2004
"A poesia é sempre religiosa, pois desperta a loucura humana de restabelecer a ligação perdida com a natureza, o mundo, o cosmos. A poesia é, afinal, a demada mítica de um tempo primordial sem separações entre homem e homem, entre homem e infinito. Mas se toda a poesia é isso, que é tudo, o poeta José Agostinho Baptista - galardoado há dias com o Prémio Pen Clube - sublinha cada vez mais a religiosidade da sua criação. A sua obra sempre foi religiosa, mas Esta voz é Quase o Vento é-o essencialmente: 'Sou apenas um homem entre as lápides./ E, quando os mortos murmuram o meu nome, digo simplesmente que estou aqui,/ acendendo velas,/ rezando outra vez, com palavras humildes,/ nos altares destruídos (...)' A angústia do quietismo."
Torcato Sepúlveda, Grande Reportagem

"Exercício de memórias e despedidas o deste pequeno volume de um dos poetas grandes de língua portuguesa. Um adeus pungente que atravessa paisagens familiares, o regaço materno, os cais e paragens do país, as casas brancas onde as buganvílias crescem à porta, as preces."
S.S.C., Visão


COMOVEM-ME

Comovem-me ainda os dias que se levantam
no deserto das nossas vidas.

Dos belos palácios da saudade
não resta a impressão dos dedos nas colunas
fendidas, e nada cresce nos pátios.

Muito além, depois das casas, o último
marinheiro continua sentado.
Os seus cabelos são brancos, pouco a pouco.

Aqui, tudo se resume a algumas tâmaras que
secaram ao sol,
longe do orvalho,
das fontes que pareciam nascer de um olhar
turvo sobre a sede da terra.

Comovem-me ainda as palavras que dizias
aos meus ouvidos aprisionados pela música.
Comovem-me as cadeiras vazias, no pátio.

Lembro-me sempre de ti.


COMOVEM-ME

Comovem-me ainda os dias que se levantam
no deserto das nossas vidas.

Dos belos palácios da saudade
não resta a impressão dos dedos nas colunas
fendidas, e nada cresce nos pátios.

Muito além, depois das casas, o último
marinheiro continua sentado.
Os seus cabelos são brancos, pouco a pouco.

Aqui, tudo se resume a algumas tâmaras que
secaram ao sol,
longe do orvalho,
das fontes que pareciam nascer de um olhar
turvo sobre a sede da terra.

Comovem-me ainda as palavras que dizias
aos meus ouvidos aprisionados pela música.
Comovem-me as cadeiras vazias, no pátio.

Lembro-me sempre de ti.

DETALHES DO PRODUTO

Esta Voz é Quase o Vento
de José Agostinho Baptista
ISBN: 978-972-37-0928-5
Edição/reimpressão: 04-2004
Editor: Assírio & Alvim
Código: 78085
Idioma: Português
Dimensões: 146 x 206 x 12 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 144
Tipo de Produto: Livro
Classificação Temática: Livros > Livros em Português > Literatura > Poesia
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

sobre José Agostinho Baptista

José Agostinho Baptista (Funchal, Madeira, 15 de agosto de 1948) é um poeta português contemporâneo. Foi assíduo colaborador da imprensa escrita, particularmente no Comércio do Funchal e mais tarde em A República e no Diário de Lisboa, cujo suplemento «O Juvenil» o deu a conhecer como poeta. Desde então e ao longo dos livros entretanto publicados, a sua poesia tem sido reconhecida como uma das mais originais e importantes da atualidade em língua portuguesa, como bem assinalaram os estudos que lhe foram dedicados em Portugal, Espanha, França e Itália. Simultaneamente, José Agostinho Baptista tem vindo a traduzir para português autores como Walt Whitman, W.B. Yeats, Tennessee Williams, Paul Bowles, Rabindranath Tagore, Sergio Pitol, David Malouf, Malcolm Lowry e Enrique Vila-Matas, entre outros. Foi condecorado pelo Presidente da República com as insígnias de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, a 1 de julho de 2001, e pelo Presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, com a Medalha de Distinção, a 1 de julho de 2015.
Grande parte da sua obra foi publicada na Assírio & Alvim: Deste lado Onde (1976), O Último Romântico (1981), Morrer no Sul (1983), Auto-retrato (1986), O Centro do Universo (1989), Paixão e Cinzas (1992), Canções da Terra Distante (1994), Agora e na Hora da Nossa Morte (1998), Biografia (2000), Afectos (2002), Anjos Caídos (2003), Esta Voz é Quase o Vento (2004), Quatro Luas (2006), Além-Mar, áudio-livro (2007), Filho Pródigo (2008), O Pai, a Mãe e o Silêncio dos Irmãos (2009), Caminharei pelo Vale da Sombra (2011).
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Epílogo

de José Agostinho Baptista

Caminharei pelo Vale da Sombra

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