Triálogo - Júlia - Relato 1453

Triálogo - Júlia - Relato 1453

ISBN: 978-972-37-0802-8
Edição/reimpressão: 09-2007
Editor: Assírio & Alvim
Código: 78738
Coleção: Obras de Ruben A.
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SINOPSE


«… Num rasgo de audácia comecei o KAOS, mas ficou parado, preciso de arrancar novamente, é coisa para mil páginas e depois só escreverei teatro, o que mais me apaixona pelo simples facto de não ter qualquer repercussão.» (Carta a Liberto Cruz, 17/11/1971)

Neste trecho epistolar, Ruben A. confirma-nos uma suspeita: a da existência nele, aqui confessada, de uma pulsão dramática latente que anima, além do mais, tantas páginas da sua prosa de narrador desassombrado e indomesticável. E ele aqui o diz no gesto bem soberano (que lembra António Patrício) de se «estar nas tintas» para os silenciamentos previsíveis, votados à recepção cultural de criações dramáticas de portugueses em Portugal; por culpa isolada ou concertada de desatenção, desamor, e/ou despeito (questão amarga e atávica que infelizmente detém a sua actualidade). Mas seja qual for o obstáculo ou o boicote, tal não atingirá de morte essa paixão de dizer, em forma escrita, que constitui a tentação dramatúrgica.

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DETALHES DO PRODUTO

Triálogo - Júlia - Relato 1453
ISBN: 978-972-37-0802-8
Edição/reimpressão: 09-2007
Editor: Assírio & Alvim
Código: 78738
Coleção: Obras de Ruben A.
Idioma: Português
Dimensões: 138 x 210 x 18 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 240
Tipo de Produto: Livro

sobre Ruben A.

Ficcionista e ensaísta português, Ruben Alfredo Andresen Leitão nasceu a 26 de maio de 1920, em Lisboa, e morreu a 26 de setembro de 1975, em Londres. Formado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra, foi docente na área da Língua e Cultura Portuguesas naUniversidade de Londres (1947-1952), tendo sido convidado para desenvolver atividade docente na Universidade de Oxford alguns meses antes da sua morte.
Entre 1954 e 1972, foi funcionário da Embaixada do Brasil em Lisboa. Estudioso de D. Pedro V, tendo procedido à edição dedocumentos de governação e correspondência inédita do monarca, foi ainda autor de vários verbetes no Dicionário de História de Portugal , dirigido por Joel Serrão. Integrou, em 1972, o Conselho de Administração da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, no domínio da qual foi responsável poruma importante atividade de edição. Colaborou com algumas publicações periódicas, tendo, por exemplo, redigido inúmeras recensões críticas na secção de "Livros escolhidos" no Diário Popular , entre 1963 e 1974. Estreou-se, em 1949, com Páginas , uma obra híbrida, misto de diário e de ficção,cujo sexto volume seria editado em 1970. Chocando pela mordacidade, pela irreverência linguística e pela desconstrução dos eixos narrativos tradicionais, estreara-se, entretanto, na novelística com o romance Caranguejo , publicado em 1954, a que se seguiria, em 1965, um dos seus maioressucessos, A Torre da Barbela (prémio Ricardo Malheiros), obra que sobrepõe, num delírio verbal apostado na caricatura da psicologia portuguesa, várias épocas da História da nacionalidade. A segunda metade da década de 60 será marcada pela publicação dos três volumes autobiográficos: O Mundo à Minha Procura . Em 1973, publicou a sua última obra, a novela Silêncio para 4 , deixando inédito o romance de inspiração histórica Kaos. A obra vasta de Ruben A. incide particularmente sobre dois tipos de registos literários: a ficção autobiográfica e a ficção histórica. Num longo itineráriode conhecimento da existência através do ato de escrita, seja no registo diarístico, seja ficcional, seja histórico, Ruben A. é um dos autores que, partindo da fratura da identidade operada por Fernando Pessoa ou por Mário de Sá-Carneiro, mais recorrentemente problematizam odesdobramento do eu, numa reflexão que culminaria com obras como O Outro que Era Eu , uma introspeção sobre o "processo de desintegração do eu abandonado à sensação de "embarcar no Outro", até ao acontecimento insólito de "integração total de um ser em outro" enquanto sinónimode uma "nova era". Este projeto de busca de si mesmo alcança, em obras como A Torre de Barbela e Kaos , uma dimensão de busca da identidade coletiva que, pela subversão cronológica, se posiciona como crítica irónica e surrealizante a uma certa forma de ser português. Pouco conhecidocomo autor dramático, Ruben A. é autor de uma peça em dois atos, Júlia , publicada em 1963, onde, segundo Luiz Francisco Rebello (cf. 100 Anos de Teatro Português (1880-1980), Porto, ed. Brasília, 1984, p. 35), "é notória a influência do moderno teatro inglês em geral e de T. S. Eliot emparticular", tendo ainda deixado alguns textos inéditos, como a peça em um ato Triálogo .
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