Um Adeus aos Deuses

Um Adeus aos Deuses

ISBN: 978-972-37-1334-3
Edição/reimpressão: 10-2010
Editor: Assírio & Alvim
Código: 79033
Coleção: Obras de Ruben A.
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SINOPSE

«Preocupo-me com os deuses. O meu tridente não enxerga divindades. Mesmo no céu, no último reduto que julgava possível eles já o abandonaram. É novo mistério para explicar, para filósofos e religiosos penetrarem no poder das cogitações. Emigrados na terra, sem mar e sem espaço os deuses ficam mais limpos, mais puros, apeados da parafernália dos domingos e feriados.» Ruben A.
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CRÍTICAS DE IMPRENSA

«Ruben ficou como que transformado numa espécie de Prometeu agrilhoado às sensações palpáveis ou não durante a posse dionisíaca sobre a sua viagem à Grécia. Até a forma de Diário, como quis conceber a descrição, lhe saiu perturbada e só aparentemente obedece a alguma ordemcósmica, pois arrasta-nos como era seu hábito para o caos rigoroso e pretendido da sua Autoridade, cuja desordem é totalmente eliminada, embora pareça exactamente o contrário.
[…]
Já estou a ver o leitor da burguesia intelectual, a franzir o nariz diante da língua portuguesa de que Ruben A. se serve, é o termo, como nessa altura o fazia Alexandre O’Neill, eivada e estruturada no surrealismo domais desavergonhado, emque o escritormete no bolso a semântica, e na sacola de filósofo cínico a sintaxe, para nos transmitir pela palavra umsentido pouco usual, cuja decifração só a imagemconsegue, no amealhar avarento de sensações, de amizades fortuitas, de saltos na estratosfera, que correspondem exactamente àquilo que escondeu, nos bolsos e bagagem. É umviandante de sacola e de bastão que veio calcorrear as montanhas, planícies e ilhas por onde andaram há milhares de anos os deuses de Homero, alguns deles ainda aprisionados nos templos e museus com que vamos tropeçando nas vastas larguras da antiga Grécia.»
RaulMiguel Rosado Fernandes, no Prefácio

DETALHES DO PRODUTO

Um Adeus aos Deuses
ISBN: 978-972-37-1334-3
Edição/reimpressão: 10-2010
Editor: Assírio & Alvim
Código: 79033
Coleção: Obras de Ruben A.
Idioma: Português
Dimensões: 136 x 211 x 12 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 176
Tipo de Produto: Livro

sobre Ruben A.

Ficcionista e ensaísta português, Ruben Alfredo Andresen Leitão nasceu a 26 de maio de 1920, em Lisboa, e morreu a 26 de setembro de 1975, em Londres. Formado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra, foi docente na área da Língua e Cultura Portuguesas naUniversidade de Londres (1947-1952), tendo sido convidado para desenvolver atividade docente na Universidade de Oxford alguns meses antes da sua morte.
Entre 1954 e 1972, foi funcionário da Embaixada do Brasil em Lisboa. Estudioso de D. Pedro V, tendo procedido à edição dedocumentos de governação e correspondência inédita do monarca, foi ainda autor de vários verbetes no Dicionário de História de Portugal , dirigido por Joel Serrão. Integrou, em 1972, o Conselho de Administração da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, no domínio da qual foi responsável poruma importante atividade de edição. Colaborou com algumas publicações periódicas, tendo, por exemplo, redigido inúmeras recensões críticas na secção de "Livros escolhidos" no Diário Popular , entre 1963 e 1974. Estreou-se, em 1949, com Páginas , uma obra híbrida, misto de diário e de ficção,cujo sexto volume seria editado em 1970. Chocando pela mordacidade, pela irreverência linguística e pela desconstrução dos eixos narrativos tradicionais, estreara-se, entretanto, na novelística com o romance Caranguejo , publicado em 1954, a que se seguiria, em 1965, um dos seus maioressucessos, A Torre da Barbela (prémio Ricardo Malheiros), obra que sobrepõe, num delírio verbal apostado na caricatura da psicologia portuguesa, várias épocas da História da nacionalidade. A segunda metade da década de 60 será marcada pela publicação dos três volumes autobiográficos: O Mundo à Minha Procura . Em 1973, publicou a sua última obra, a novela Silêncio para 4 , deixando inédito o romance de inspiração histórica Kaos. A obra vasta de Ruben A. incide particularmente sobre dois tipos de registos literários: a ficção autobiográfica e a ficção histórica. Num longo itineráriode conhecimento da existência através do ato de escrita, seja no registo diarístico, seja ficcional, seja histórico, Ruben A. é um dos autores que, partindo da fratura da identidade operada por Fernando Pessoa ou por Mário de Sá-Carneiro, mais recorrentemente problematizam odesdobramento do eu, numa reflexão que culminaria com obras como O Outro que Era Eu , uma introspeção sobre o "processo de desintegração do eu abandonado à sensação de "embarcar no Outro", até ao acontecimento insólito de "integração total de um ser em outro" enquanto sinónimode uma "nova era". Este projeto de busca de si mesmo alcança, em obras como A Torre de Barbela e Kaos , uma dimensão de busca da identidade coletiva que, pela subversão cronológica, se posiciona como crítica irónica e surrealizante a uma certa forma de ser português. Pouco conhecidocomo autor dramático, Ruben A. é autor de uma peça em dois atos, Júlia , publicada em 1963, onde, segundo Luiz Francisco Rebello (cf. 100 Anos de Teatro Português (1880-1980), Porto, ed. Brasília, 1984, p. 35), "é notória a influência do moderno teatro inglês em geral e de T. S. Eliot emparticular", tendo ainda deixado alguns textos inéditos, como a peça em um ato Triálogo .
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