Dobra

avaliação dos leitores (8 comentários)
(8 comentários)
ISBN: 978-972-37-2392-2
Edição/reimpressão: 09-2024
Editor: Assírio & Alvim
Código: 78920
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SINOPSE

Dobra reúne todos os livros de poesia de Adília Lopes. Como consequência, a nova edição que agora se apresenta foi ampliada e passa a incluir toda a obra poética publicada da autora, até maio de 2023. Edição encadernada.
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CRÍTICAS DE IMPRENSA

Ninguém como Adília Lopes (n. 1960) sabe casar o vernáculo com o erudito, o infantil com o sapiencial, o doméstico com o metafísico.
José Cabrita Saraiva, Nascer do Sol
Tem mil páginas a reunião dos pequenos livros de Adília Lopes: ‘Dobra Poesia Reunida' (Assírio & Alvim) comove-nos, faz-nos sorrir, pensar, rir de novo, sempre. "Sou uma personagem/ de ficção científica/ escrevo para me casar."
Francisco José Viegas, Correio da Manhã
«A poesia de Adília Lopes é uma estação fundamental e singular no percurso da poesia portuguesa desde os anos 80. o seu grande triunfo consistiu em renunciar completamente ao lirismo e às suas tonalidades afectivas, mantendo uma densidade que advém da exploração linguística, em todos os níveis.»
António Guerreiro, Expresso
António Guerreiro, Expresso
«HAVERÁ UMA BELEZA QUE NOS SALVE?»

«Não, não há uma beleza que nos salve. Só a bondade nos salva. E a bondade manifesta-se, por vezes, no meio da maior fealdade. Explico-me. Uma pessoa capaz de actos de bondade, uma pessoa com bom coração, pode ter uma cara que é considerada feia, pode vestir-se de uma maneira que é considerada pirosa, pode ter tido notas medíocres, pode ser um artista medíocre. Quando visitamos um museu com obras belíssimas, como o Louvre ou o Prado, podemo-nos esquecer de que as pessoas, os visitantes e os funcionários que estão lá connosco, são obras mais belas do que as mais belas obras expostas que andamos a ver. Um artista torturado pela beleza que consegue, ou que não consegue, dar ao que pinta e que se autodestrói está equivocado. Seria preferível deixar de pintar ou pintar obras medíocres. Como dizia o meu avô materno, que era médico, «mais vale burro vivo do que sábio morto». Se a busca da beleza nos impede de viver, então há é uma beleza que nos perde. E há.
Penso que não nos devemos enganar sobre a beleza. Se a nossa obra artística, ou outra, não implica a renúncia às coisas inúteis e a partilha, então é bastante inútil. E as coisas inúteis, para uma poetisa, são o desejo de escrever obras perfeitas e o de ser reconhecida pelos seus pares. Roubei à Irmã Emmanuelle a expressão «renúncia às coisas inúteis e partilha» («renonce aux choses inutiles et partage», in Famille chrétienne, Numéro hors série, été 2004, p. 6). Se não há partilha, o artista é quase tão aberrante como um padre que celebrasse a missa só para si. Os artistas são, às vezes, muito egoístas. É verdade que as suas obras, apesar disso, podem comunicar—mas será involuntariamente? —bons sentimentos. A arte está cheia de ódio, de maus sentimentos. Parece que estou a dizer mal da arte e não queria fazer isso.
No Natal, uma amiga mandou-me um cartão de boas festas da Unicef com um Anjo da Anunciação de Fra Angelico. Tenho-o em exposição no meu quarto e, quando quero rezar, olho para ele. Mas não sou contemporânea de Fra Angelico. Não posso tomar café e tagarelar com ele nos cafés como posso fazer com a amiga que me enviou o anjo dele pelo Correio. Por isso o Anjo da Anunciação de Fra Angelico, que é tão bonito, pode também ser doloroso. Fra Angelico já morreu. E não é a beleza do anjo de Fra Angelico que me garante que Fra Angelico ressuscitará.
Um poema de Rimbaud está cheio de violência. Há muita beleza na expressão dessa violência. E isto é terrível. Preferia que Rimbaud não estivesse ferido a ponto de escrever daquela maneira? Preferia.Mas não posso dizer isto assim.
A arte é feita para construir a paz.Não é umesgrimir no vazio.Não pode ser.Olho para o Anjo da Anunciação de Fra Angelico. Parece- -me belíssimo. É vermelho e dourado. É verde e azul. Mas, ao escrever assim, parece-me que estou a evocar o poema de Rimbaud intitulado «Voyelles». A arte é um modo de lidar com a ausência. E por isso é tão preciosa e tão perigosa. Nunca é a alegria da presença.»

COMENTÁRIOS DOS LEITORES

Adília, surpreendente, o que não é surpresa ¿
Teresa Fastudo | 2025-05-23
Adília Lopes merece um lugar de destaque na poesia portuguesa dos séculos XX e XXI. Os seus poemas, simultaneamente simples e profundos, revestem-se de uma beleza e ao mesmo tempo de uma crueza que permitem desvendar aquilo que nos une, seres humanos à deriva, mesmo quando achamos que o rumo está definido. Esta obra, com as suas mil páginas, tem poesia para muito mais do que mil dias e mil noites. 5 estrelas.
Único
André Lamas Leite | 2025-02-03
Esta colectânea da poesia de Adília Lopes demonstra-nos quão profunda é a escrita dos dias comuns, quão interessante é a análise de momentos dotados de um carácter tão quotidiano que, por via disso, são cada vez mais humanos. Dizem que se admiram mais as mulheres e os homens de letras após a sua morte, como que confirmando que "ninguém faz milagres em terra própria". Agora que Adília já é de outra dimensão, talvez ocupe o lugar que merece.

DETALHES DO PRODUTO

Dobra
de Adília Lopes
ISBN: 978-972-37-2392-2
Edição/reimpressão: 09-2024
Editor: Assírio & Alvim
Código: 78920
Idioma: Português
Dimensões: 172 x 248 x 50 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 1056
Tipo de Produto: Livro
Classificação Temática: Livros > Livros em Português > Literatura > Poesia
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

sobre Adília Lopes

Adília Lopes, pseudónimo literário de Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira, nasceu em Lisboa em 1960 e faleceu a 30 de dezembro de 2024. Frequentou a licenciatura em Física, na Universidade de Lisboa, que viria a abandonar quando já estava prestes a completá-la. Começa a publicar a sua poesia no Anuário de Poetas não Publicados da Assírio & Alvim, em 1984. Antes disso, em 1983, começa uma nova licenciatura, em Literatura e Linguística Portuguesa e Francesa, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Pelo meio, antes de a terminar, publica o seu primeiro livro de poesia, Um Jogo Bastante Perigoso, em edição de autor (1985). Da sua extensa obra poética, destacam-se ainda os títulos Irmã Barata, Irmã Batata (2000), Manhã (2015), Bandolim (2016), Estar em Casa (2018), Dias e Dias (2020) e Choupos (2023). Dobra (2024) é a mais recente reunião da sua obra publicada, incluindo inéditos. Colaborou em diversos jornais e revistas, em Portugal e no estrangeiro, com poemas, artigos e poemas traduzidos.
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