Páginas (V)

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ISBN: 978-972-37-0588-1
Edição/reimpressão: 04-2000
Editor: Assírio & Alvim
Código: 78392
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SINOPSE

Há 25 anos, no dia 26 de Setembro, desaparecia um dos grandes escritores portugueses deste século: Ruben A., pseudónimo de Ruben Alfredo Andresen Leitão, ficcionista, dramaturgo, historiador, com uma obra repartida por dezenas de volumes, do romance ao ensaio, passando pela autobiografia, conto e novela. A editora Assírio & Alvim, que edita a sua obra, prepara-lhe uma homenagem no Alto Minho, em colaboração com a Câmara de Caminha, ao mesmo tempo que sai o V volume de "Páginas", obra de reflexões, vivências e impressões várias, que o autor de "A Torre da Barbela" foi escrevendo ao longo de anos, com o humor fino que o caracterizava e uma criatividade ímpar na forma como jogava com as palavras e os seus sentidos. Os encontros e conversas com os amigos, os poetas Ruy Cinatti, Pedro Homem de Mello, Sophia de Mello Breyner, sua prima, José Régio, Miguel Torga, o crítico João Gaspar Simões, o "Gaspas", o romancista brasileiro José Lins do Rego, a pintora Menez, e tantos, tantos outros. "Páginas de casa" pelo Minho de Carreço, onde comprara a casa do Sargaço, a serra d'Arga, Afife, Viana, Ponte de Lima (e a Torre de Barbela, em Geraz do Lima, onde tomou a decisão de escrever o romance), e também Coimbra, Portalegre, Porto ou Lisboa ...; "páginas ambulantes" por Londres, Oslo ou Roterdão.

Excerto:
"Dia 10. Estou azabumbado. Pedalo dentro da minha cabeça e sai apenas uma bílis de má disposição. A minha vida é um acidente de terreno pouco elevado. Esmigalho-me de vez em meses: é cada notícia que me alquebra os untos. Fico-me por aqui a olhar os bosques por onde caminha o Cavaleiro da Barbela a bordo do seu afamado Vilancete. E sonho nas saudades monstras que tenha da Barbela. Sítio ímpar na Ribeira Lima, solar da Torre, albergando os mais individualizados de cada século. Quase me apaixono por Madeleine Barbelat que quer perscrutar da virgindade do Cavaleiro antes de regressar a Paris. Depois ingresso novamente na chatice da renda de casa para pagar até ao dia 8, do gás e da electricidade, e eu sempre atento a apagar o que se não deve estragar de dinheiro, e o telefone a roubar-me por um contador que não está em minha casa, sou indefeso, imbecil, parvo - ainda a água caudalosa a chuvar-me o estremunhamento para não falar no pesadelo constante de padeiro, leiteiro, carniceiro, canalizador. Tudo que é novo em Portugal precisa de ser arranjado, então as canalizações já são construídas entupidas de nascença. Há tanto maquinismo de que só fabricamos os abortos. E medito que à borla só tenho o ar e o dentista amigo que é um homem bestial, boémio dos tempos de Coimbra, são de corpo e alma. Ah! Como eu queria bocejos à beira-mar. Lisboa faz-me vómitos setembrais; é a cidade mais egoísta do Ocidente. Em Lisboa é tudo difícil. Os braços caem-me pelas pernas abaixo e a cabeça de tão inclinada só olha pelos umbigos citadinos. São feios os umbigos portugueses. Têm pouca graça, parecem estrelas cadentes. Toda a minha paixão vira-se para umbigos de luxo que me arranquem dessa monotonia de contínuos problemas fiduciários."

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DETALHES DO PRODUTO

Páginas (V)
ISBN: 978-972-37-0588-1
Edição/reimpressão: 04-2000
Editor: Assírio & Alvim
Código: 78392
Idioma: Português
Dimensões: 137 x 210 x 17 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 240
Tipo de Produto: Livro

sobre Ruben A.

Ruben Alfredo Andresen Leitão nasceu a 26 de maio de 1920, em Lisboa. Formado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra, foi docente na área da Língua e Cultura Portuguesas na Universidade de Londres entre 1947 e 1952. Estreou-se em 1949 com Páginas, misto de diário e ficção, um texto que sairia ao longo dos anos seguintes, em seis volumes. Destacam-se ainda, na novelística, os romances Caranguejo (1954), narrativamente escrito de trás para a frente, sem numeração de página, e A Torre da Barbela (1964), onde o autor funde a ficção biográfica e a ficção histórica. A segunda metade da década de 60 será marcada pela publicação dos três volumes autobiográficos O Mundo à Minha Procura. A sua escrita distingue-se pelo recurso a inteligentíssimos jogos de linguagem, desconstrução dos eixos narrativos tradicionais, subversão cronológica dos eventos passados e, claro, pela crítica irónica a uma certa forma de ser português. Alguns meses antes da sua morte, foi convidado a dar aulas na Universidade de Oxford. Morreu em Londres, a 26 de setembro de 1975.
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