Poemas de Gastão Cruz ditos por Luís Miguel Cintra

Poemas de Gastão Cruz ditos por Luís Miguel Cintra

ISBN: 978-972-37-1053-3
Edição/reimpressão: 12-2005
Editor: Assírio & Alvim
Código: 78581
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SINOPSE

"Comecei a ler poesia em voz alta com o Gastão Cruz. Na Faculdade de Letras de Lisboa. Fim dos anos 60. Ele andava ainda por lá. Não sei se já tinha acabado o curso, se ainda lhe faltava alguma cadeira. Sei que o Gastão fazia parte desses dias da vida em comum que nesses anos vivemos e nos afeiçoaram a vida inteira. Reuníamo-nos na pequenina sala do grupo de teatro ao lado do bar, às vezes em sua casa. Ele trazia a escolha de poemas: toda a grande poesia. De Camões e Sá de Miranda aos novos: os novos mais velhos, Carlos de Oliveira, Eugénio de Andrade, Sophia, Ramos Rosa, e a nossa poesia, a Fiama, a Luiza Neto Jorge, o Ruy Belo, o Herberto Helder, e também, mas raramente, o próprio Gastão. Aprendíamos a ler: as respirações, os ritmos, as sonoridades, as palavras uma a uma, a estrutura dos poemas, o sentido. Queríamos dar-lhes voz mas deixá-los intactos na pureza da sua escrita, verso a verso, sem exibicionismo de interpretação. Só aprendíamos a ler, com a minúcia e o cuidado de quem muito ama e não quer estragar. Depois íamos dá-los a ouvir onde nos deixassem, lutando para que o trabalho das palavras fizesse parte da transformação do mundo que queríamos e para que queríamos trabalhar: na própria Faculdade, na 111, nas chamadas sessões de canto livre, muito na margem esquerda, tantas vezes com o Zeca Afonso a cantar. O Gastão começava assim um ofício afectivo que, a par do seu ofício de poeta, nunca abandonou: ler e dar a ler a poesia dos outros."
Luis Miguel Cintra
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CRÍTICAS DE IMPRENSA

"Gastão Cruz contribuiu significativamente para a recuperação e reconfiguração da poesia dita. O seu trabalho com actores, ao longo de décadas, introduziu um novo registo, mais sóbrio e colado ao texto, afastando-se da espectacularidade reinante. É assim justíssimo que a poesia do próprio Gastão seja dita, e dita por quem melhor o faz: Luís Miguel Cintra. Assumindo a sua antiga empatia estética e geracional, Cintra escolheu 74 poemas, que gravou de modo exímio. [...] "Os poemas de Gastão Cruz não se esgotam na sua função passada de ruptura estética nem nos seus aspectos geracionais. Esta é uma poesia vigiada mas angustiada, nunca evidente, cada vez mais apostada em complexidades formais e caminhando no fito de conjugar ao milímetro som e sentido, coisa que consegue como poucas. E no disco que acompanha a antologia, a voz grave e percutiva de Luís Miguel Cintra fixa inexcedivelmente esse claro enigma."
Pedro Mexia, Diário de Notícias

DETALHES DO PRODUTO

Poemas de Gastão Cruz ditos por Luís Miguel Cintra
ISBN: 978-972-37-1053-3
Edição/reimpressão: 12-2005
Editor: Assírio & Alvim
Código: 78581
Idioma: Português
Dimensões: 148 x 210 x 10 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 96
Tipo de Produto: Livro

sobre Gastão Cruz

Poeta e ensaísta português, Gastão Cruz nasceu em 1941, na cidade de Faro, no Algarve, e licenciou-se pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em Filologia Germânica.
Professor do ensino secundário, o autor exerceu paralelamente, entre 1980 e 1986, a carreira de leitor de Português no King's College de Londres e dirigiu, nos anos 70 a 90, após a morte de Carlos Ferreira, o grupo de teatro Teatro Hoje/Teatro da Graça que ajudou a fundar.
O gosto pelo teatro e pelo mundo da poesia "empurra-o" para a tradução de títulos dramáticos de, entre outros autores, Strindberg, Shakespeare (Conto de Inverno) e Cocteau e para a organização de recitais dramatizados que proporcionam uma intensa divulgação poética.
Ainda muito jovem, com apenas 19 anos, Gastão Cruz, manifestando já um grande apego pelo texto poético, publica o seu primeiro livro, A Morte Percutiva, no volume colectivo intitulado Poesia 61, que compila textos de uma plêiade de cinco jovens poetas: Casimiro de Brito, Fiama Hasse Pais Brandão, Luiza Neto Jorge e Maria Teresa Horta.
Homem com uma forte ligação à terra onde nasceu, o autor sente uma grande revolta quando olha para o que o rodeia. A destruição do cenário que o viu nascer e crescer, nomeadamente o da Ilha de Faro onde passava as férias de Verão: o mar, a areia, os cardos, as plantas e os seus aromas e, sobretudo, o silêncio e o isolamento são temas recorrentes na sua poética. Mas, na sua obra, perpassam temas diversos como a dor, a metamorfose, a guerra colonial (Outro Nome e Aves), a morte (Pedras Negras).
Começando por assumir uma escrita experimentalista, Gastão Cruz adoptou depois formas clássicas como o soneto e a canção, que reflectem bem, desde os anos 60, a influência de Camões que, aliás, o autor não desmente. As suas obras são caracterizadas pela contenção quantitativa, sendo assim reduzido o número de textos que compõem cada volume. Ao contrário, cada um destes textos são portadores de uma grande densidade de significação e formam entre si uma unidade que se estrutura como uma teia. Orgão de Luzes, por exemplo, é composto por 15 poemas caracterizados por um vocabulário escasso e por um "virar" do sujeito poético para si próprio, como se fechado dentro de uma Campânula (título de um outro livro publicado em 1978).
Acreditando que a poesia deve conter um "discurso autónomo", correspondendo a um "sistema com as suas leis próprias", Gastão Cruz considera que esta deve resultar de um trabalho de composição consistente e rigoroso.
Autor de uma obra muito diversa, publicou, entre outros, os seguintes títulos: A Morte Percutiva; A poesia Portuguesa Hoje, 1973; Campânula, 1978; Orgão de Luzes; Transe (1960-1990); As Pedras Negras, 1995; Poesia Reunida, 1999; Crateras, 2000 que recebeu o Prémio D. Dinis.
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