Finisterra (eBook)

Paisagem e povoamento

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SINOPSE

Ancorada no areal da gândara, uma casa em falência. Em seu redor, o halo lucilante protege o terreno antes da execução da hipoteca. Imagens difusas povoam a paisagem de dunas a perder de vista, tentando capturar o que resta do real: a criança sentada num osso de baleia, o pai premindo o obturador, a mãe na senda da alquimia das gisandras, o tio aperfeiçoando a fórmula da porcelana etérea. E o silêncio atemorizador ao longo dos dias: o executor fiscal, os peregrinos de cabeça em chamas ameaçando a harmonia do reino mineral.
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COMENTÁRIOS DOS LEITORES

Paisagem em Ferida: A Terra e o Homem em Finisterra
André Pereira | 2026-01-08
Em Finisterra, Carlos de Oliveira compõe uma meditação densa sobre a relação entre o homem e a paisagem, onde a aridez do espaço rural espelha a penúria material e moral das personagens. A prosa é lapidar, trabalhada como um relevo minucioso, em que cada imagem carrega peso simbólico e silêncio. Entre nevoeiros e areais, desenha-se um universo de limites — geográficos e existenciais — onde a esperança parece sempre adiada. É um romance de rara contenção poética, em que a linguagem se torna território e a terra, espelho sombrio de uma condição coletiva.

DETALHES DO PRODUTO

Finisterra (eBook)
de Carlos de Oliveira
ISBN: 978-972-37-2206-2
Edição/reimpressão: 10-2021
Editor: Assírio & Alvim
Código: 67334
Idioma: Português
Páginas: 128
Tipo de Produto: eBook
Classificação Temática: eBooks > eBooks em Português > Literatura > Romance
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

sobre Carlos de Oliveira

Carlos de Oliveira nasceu em 1921, em Belém do Pará, filho de pais portugueses emigrados no Brasil. Tinha apenas dois anos quando a família regressou a Portugal. Na cidade que o acolheu, Coimbra, participou no grupo do Novo Cancioneiro, na génese do movimento Neorrealista, de que viria a ser uma das maiores vozes. Colaborou nas revistas Altitude e Seara Nova, e dirigiu durante algum tempo a revista Vértice. Começou a destacar-se com os seus livros de poesia – Mãe Pobre (1945), Micropaisagem (1968), Pastoral (1977), entre outros. O seu trabalho distingue-se pela constante depuração da escrita e pelo questionamento do gesto autoral, levando-o a corrigir e reescrever quase todos os seus trabalhos até ao final da vida: são disso exemplo os seus romances Casa na Duna (1943), Pequenos Burgueses (1948), Uma Abelha na Chuva (1953) ou Finisterra (1978). Faleceu em Lisboa a 1 de julho de 1981.
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